Thursday, March 08, 2007

Santo templo


















Não sou um homem criativo. Talvez por isso me atenha nos detalhes das coisas. Sim, está é a minha forma de me sentir criativo. Simplesmente observo o que muitos não dão bola. E assim encho o peito de orgulho nos meus momentos solitários, onde ninguém pode provar ao contrário de minha tese. O estranho é que para me sentir melhor, mais socializado, esses detalhes me voltam à cabeça de tempos em tempos. Acabam por serem promovidos a insigths e então tenho a sensação da criatividade. E foi assim, lendo uma pequena síntese sobre a criação dos preservativos, que minha memória acessou o banco de detalhes mal guardado em minha massa cinzenta.

Descobri que a cultura dos preservativos é anterior a Cristo. Na tentativa de evitar uma gravidez indesejada ou doenças sexualmente transmissíveis a humanidade inventou fórmulas estranhas. Gengibre e suco do fumo, excrementos de crocodilo e outras formulas de alcalino, assim como os espermicidas modernos. No século XIX eram confeccionados preservativos de uma borracha grossa, porém apartir de 1880 foram feitos em latex e evoluem gradativamente. Este inside fez com que eu me recorda-se de um teatro que a natureza humana me proporcionou numa madrugada dessas.

Eu, conterrâneo estrangeiro dos porto-alegrenses, dirijo-me periodicamente ao interior do estado para a manutenção das minhas amizades. No retorno a capital, passo pelas imediações da rodoviária de porto alegre. Minhas retinas, dilatadas pela ausência de luz no ambiente, registraram uma cena nova no meu arquivo de imagens mental. Um bordel. Obviamente era um bordel diferente dos que conheço. Não que eu tenha cometido o ato anti-cristão de conhecer muitos e de freqüenta-los assiduamente.

Infelizmente o meu sentido aguçado da visão não consegue registrar o nome do estabelecimento do prazer. Se é que ele necessitava de um. O que me chama a atenção é uma moça. Encostada na porta ela pita constantemente um cigarro. Enquanto realiza seu ritual tabagístico lança olhares maliciosos sobre os transeuntes. São exatas 5:27 da madrugada. Mas o movimento interno parece estar em horário de rush. Fito tudo do outro lado da rua, nas mediações de um estacionamento. Olho novamente os seres humanos que ambientam o início da aurora. Observo o lugar sujo e movimentado. É como um cinema de fundo de quintal ou uma espécie de teatro de sombras. Tudo se reflete em um lençol vermelho pendurado por um barbante servindo de cortina para os prazeres alheios. De dentro daquela caverna úmida saem homens, bigodes, barrigas, sorrisos de alívio e satisfação. É nesse momento que vejo o quanto os preservativos representam a busca do homem por um prazer sem culpa. Mas é claro, longe de mim pensamentos tão impuros. O homem almeja sim o prazer divino.

2 comments:

Diego Moretto said...

Bordéis, há os bordéis.... bom, não sei por aí..., mas por aqui são zonas de excurssão de grupos de adolescentes sedentos por corpos belos da criatura mais maravilhosa da terra: a mulher. No meu caso, nunca (aliás não sei pq...) fui até os "finalmentes" num lugar como este. Como eu havia dito: são pontos turísticos disputadíssimos, e um lugar maravilhoso para se aprender a respeitar outros humanos, não importando nada. Bom, agora que já revelei isso, why not continuar.... Conhecendo algumas garotas e onversando com elas, entre uns goles e outros, vê-se uma profunda angústia misturado com um certo alívio.. não sei explicar bem. As que "conheci" até hoje (e as que gostavam das minhas e das conversas dos meus amigos), contavam histórias íncriveis, onde Bruna Surfistinha beijaria o pé de cada uma delas. Muitas eram belas garotas..e a clientela, em sua maioria, realmente eram barrigudos ou velhos que em hipotese alguma no mundo, arrumariam uma mulher daquele nype por simples cantada...
Vixi! Falei de mais dessas "quase" sórdidas experiências, rsrsrsrsrsrsrsrsrrsrsrsrsrs. Mas é isso. (dos preservativos não tenha nada a declarar, apenas uma gratidão imensa por existirem..hehehehhe). post legal pacas Fernandão, abs!

Fernanda said...

Realmente, PRAZER DIVINO!